Susana Baca
Parte 1
Durante 3 anos vivi na av 24 de julho, num 6. andar, com a minha best friend. De entre tantas coisas que trocamos e partilhamos, está bem presente a música e musicos. Foi com ela que escutei, por primeira vez, Susana Baca.
A voz de Susana intrigou-me desde o primeiro momento que a escutei. Procurei saber a cor da sua pele, se era jovem, e de que parte de America Latina era (muitas das vezes a voz dá-me este detalhes). Concluí: idade indescifravel, mas jovem sem duvidas, cor: mistura de cores, e escolhi, mais do que conclui, que ela era de centro America, provavelmente da Colombia.
Depois de que mudei de pais, e tive mais acesso à musica, comprei dois albuns de Baca. Tenho que confessor que as fotos no booklet dos cds ainda nao me diziam nada sobre a sua idade. Mulher atemporal? No entanto, fiquei a saber que ela era negra peruana.
Mas nada me surpreende em relacao as migracoes do “our people” (sorrio), e sobretudo tendo em conta que Peru é pais com costa. O trafico de escravos cobriu todo o planeta…
No ano passado tive o privilegio de conhecer Susana Baca. Atraves de um amigo, Lindo. O Lindo ia tocar num festival, African History Week. Ao saber que ia tambem tocar com Susana, colei-me a ele feito mosca a uma ferida.
Assim fui com ele a um dos primeiros ensaios, e embora me tenha sentido como peixe for a dagua (os organizadores do festival nao estavam exactamente empolgados por verem uma desconhecida intrometida na fase preparatoria do festival. Vale dizer que mais tarde desenvolvi bom contacto com quase todos eles, e possivelmente va trabalhar na coordenacao da edicao do AHW deste ano.)
Anyways, estou sentada num banco, a espera de que os musicos comecem a ensaiar. E vem Susana, e senta-se ao lado de mim. Trocamos beijinhos, e apresento-me.
Respondedo a pergunta dela de como era que eu falava bem espanhol, lhe disse que havia vivido e estudado musica em Havana. A isto, vi lagrimas a cairem do rosto dela, e ela me explicava “eh que na minha banda havia um jovem cubano, que era tao especial, ele fazia um trabalho excelente, (…) Mas ha uns dois anos, e estando eu de viagem, ele fica doente, e falece. “Ay Amelita, que tristeza” – concluiu um. Desajeitadamente dei-lhe um abraco…
Voces imaginam a minha cara?
Para dizer-vos que Susana eh uma mulher simples e transparente, sensivel e muito expressiva.
Dias mais tarde, na sua actuacao, a Susana tirou os sapatos finos que tinha, subiu ao palco e cantou a capella (ie. sem acompanhamento de instrumentos). Para o meu espanto, a mulher chorava ao cantar a sua musica, chorava e dancava!
Mas… porque diva?
(cont.)
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4/14/09
Divas...
Estou a semanas a procura de saber como posso colocar um power point no blog. Nao consigo resposta, e as minhas tentativas todas nao resultam. Decido, por isso nao colocar a apresentacao que tinha sobre Mama Africa, e passo para mais uma diva, desta feita, Susana Baca.
Mas eu volto com a mamã Africa, nem que tenha que colocar um link, para onde os leitores podem ir ver oque quero apresentar. E depois colocar as minhas consideracoes
Mas eu volto com a mamã Africa, nem que tenha que colocar um link, para onde os leitores podem ir ver oque quero apresentar. E depois colocar as minhas consideracoes
3/4/09
Divas II: Mercedes Sosa
Quando eu vivia no colégio, tinha uma colega de quarto Mexicana, a Lakshmi. Ela tinha um carinho de irmã mais velha para comigo. E quando eu estava triste, depa (deprimida) com saudades de casa ou cansada, ela punha musica a tocar. E muitas das vezes punha a musica da Sosa, que sem eu saber porque, me fazia chorar.
Anos mais tarde, voltei a procurar esta musica na internet. E a ler sobre a cantora. Os meus temas preferidos sao, entre outros, alfonsina y el mar, gracias a la vida, vengo ofrecer mi corazon, bem como duetos que ela fez com muitos dos grandes da America Latina e Espanha. Muitos deles comungam do mesmo ideal, de um mundo melhor, livre das dictaduras que marcaram muitas nacoes.
Mercedes Sosa é uma mulher argentina nascida em 1935, e que comecou a cantar aos 15 anos! (A isto chamo eu de percurso musical!)
Devido aos seus longos e lisos cabelos negros (pretos?), é carinhosamente chamada "La Negra". Convido-vos a escutá-la, e compreenderão porque ela é também chamada "La Voz de Latinoamerica".
Oque gosto dela é a profunda e inconfundivel voz. O facto de o canto dela estar inspirado pela música india, e o seu activismo.
Música:
Conto os seus discos, e sao nada menos que 44! O primeiro produzido em 1962, e o último, em 2005!
Sosa fez trabalhos com, por exemplo: Pavarotti, Sting, Joan Baez, Abdrea Bocelli, Silvio Rodriguez, Pablo Milanes, Milton NAscimento, Caetano Veloso, Gal Costa, Joan Manoel Serrat.
Numa atitude que realmente admiro, ela participa em concertos e discos também de artistas mais jovens do seu proprio pais, como Fito Paez e Charly Garcia, ambos rockistas.
Activismo socio-político
"La Negra" desde muito jovem identificou-se com a esquerda. O seu apoio ao Peronismo valeu-lhe a proibicao dos seus discos em 1976, a prisao em 1979, e o exilio, de onde regressou em 1982.
A preocupação sócio-política refletiu-se no repertório interpretado, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, um movimento musical latino-americano da década de 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Do Brasil conhecemos Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso. Em Cuba temos Pablo Milanes e Silvio Rodriguez, e Victor Jara no Chile, entre outros. A Nueva Cancion é caracterizada por uma ideologia de rechaço ao que entendiam como imperialismo norte-americano, consumismo e desigualdade social.
A partir de 1995, la Negra tem recebido diversos premios e reconhecimentos. Como músico, erica-me os pelos o pensar na ovacao de 15 (sim quinze) minutos que ela recebeu no Carnegie Hall.
Presentemente "La Voz de latinoamerica" embaixadora de boa vontade da UNESCO para América Latina e as Caraíbas.
Fontes:
http://es.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa
2/19/09
DIVAS I: Mari Boine

Mari Boine (nascida em 1956) representa um povo. Uma minoria, é certo, mas nem por isso falta de identidade. A sua carreira musica é o resultado da busca de identidade como sami.
O concerto aque assisti na passada sexta-feira tinha um aspecto especial, nomeadamente o facto de ela partilhar o palco com uma académica, estudiosa de religião. Esta senhora contava trechos de estórias do encontro entre a cultura sami e o ocidente, ou seja, o homem branco, vindo sobretudo do reino da dinamarca, com uma missão sólida: evangelizar e salvar os primitivos que se vestiam de peles, e que eram tão castigados pelo diabo que viviam mudando de acampamento (É que os sami eram/são nómadas)!
Mari Boine intercalava cada canção com uma estória deste encontro, e acabou levando-nos a todos a sua zona de origem, as suas crenças, as crenças do seu povo.
Para mim (provavelmente a única africana no espectáculo), foi uma esperiencia tanto mágica como irônica, a de descubrir que pese o facto de os sami serem, para mim, brancos, sofreram os mesmos preconceitos e violencia que "nosotros" em Africa.
Por causa desta madurez, desta bagagem de conhecimento, reseultante da busca de identidade, de ela ser a face de uma nação, e ter orgulho a representar; Mas também por causa da sua musica sofrida e divina, e ter uma voz tão poderosa, por todas estas razões, Mari Boine é, para mim, uma DIVA.
Claro que para terminar este post, coloco aqui um cheirinho desta mãe de mão cheia.
1. Joik- tipo de canto típico sami. Veja mais aqui.
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