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3/4/09

Divas II: Mercedes Sosa






Quando eu vivia no colégio, tinha uma colega de quarto Mexicana, a Lakshmi. Ela tinha um carinho de irmã mais velha para comigo. E quando eu estava triste, depa (deprimida) com saudades de casa ou cansada, ela punha musica a tocar. E muitas das vezes punha a musica da Sosa, que sem eu saber porque, me fazia chorar.


Anos mais tarde, voltei a procurar esta musica na internet. E a ler sobre a cantora. Os meus temas preferidos sao, entre outros, alfonsina y el mar, gracias a la vida, vengo ofrecer mi corazon, bem como duetos que ela fez com muitos dos grandes da America Latina e Espanha. Muitos deles comungam do mesmo ideal, de um mundo melhor, livre das dictaduras que marcaram muitas nacoes.


Mercedes Sosa é uma mulher argentina nascida em 1935, e que comecou a cantar aos 15 anos! (A isto chamo eu de percurso musical!)


Devido aos seus longos e lisos cabelos negros (pretos?), é carinhosamente chamada "La Negra". Convido-vos a escutá-la, e compreenderão porque ela é também chamada "La Voz de Latinoamerica".


Oque gosto dela é a profunda e inconfundivel voz. O facto de o canto dela estar inspirado pela música india, e o seu activismo.


Música:


Conto os seus discos, e sao nada menos que 44! O primeiro produzido em 1962, e o último, em 2005!



Sosa fez trabalhos com, por exemplo: Pavarotti, Sting, Joan Baez, Abdrea Bocelli, Silvio Rodriguez, Pablo Milanes, Milton NAscimento, Caetano Veloso, Gal Costa, Joan Manoel Serrat.


Numa atitude que realmente admiro, ela participa em concertos e discos também de artistas mais jovens do seu proprio pais, como Fito Paez e Charly Garcia, ambos rockistas.






Activismo socio-político


"La Negra" desde muito jovem identificou-se com a esquerda. O seu apoio ao Peronismo valeu-lhe a proibicao dos seus discos em 1976, a prisao em 1979, e o exilio, de onde regressou em 1982.


A preocupação sócio-política refletiu-se no repertório interpretado, tornando-se uma das grandes expoentes da Nueva Canción, um movimento musical latino-americano da década de 60, com raízes africanas, cubanas, andinas e espanholas. Do Brasil conhecemos Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso. Em Cuba temos Pablo Milanes e Silvio Rodriguez, e Victor Jara no Chile, entre outros. A Nueva Cancion é caracterizada por uma ideologia de rechaço ao que entendiam como imperialismo norte-americano, consumismo e desigualdade social.


A partir de 1995, la Negra tem recebido diversos premios e reconhecimentos. Como músico, erica-me os pelos o pensar na ovacao de 15 (sim quinze) minutos que ela recebeu no Carnegie Hall.


Presentemente "La Voz de latinoamerica" embaixadora de boa vontade da UNESCO para América Latina e as Caraíbas.







Fontes:

- www.mercedessosa.com.ar

http://es.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa



2/19/09

DIVAS I: Mari Boine








Mari Boine (nascida em 1956) representa um povo. Uma minoria, é certo, mas nem por isso falta de identidade. A sua carreira musica é o resultado da busca de identidade como sami.

O concerto aque assisti na passada sexta-feira tinha um aspecto especial, nomeadamente o facto de ela partilhar o palco com uma académica, estudiosa de religião. Esta senhora contava trechos de estórias do encontro entre a cultura sami e o ocidente, ou seja, o homem branco, vindo sobretudo do reino da dinamarca, com uma missão sólida: evangelizar e salvar os primitivos que se vestiam de peles, e que eram tão castigados pelo diabo que viviam mudando de acampamento (É que os sami eram/são nómadas)!


Mari Boine intercalava cada canção com uma estória deste encontro, e acabou levando-nos a todos a sua zona de origem, as suas crenças, as crenças do seu povo.


Para mim (provavelmente a única africana no espectáculo), foi uma esperiencia tanto mágica como irônica, a de descubrir que pese o facto de os sami serem, para mim, brancos, sofreram os mesmos preconceitos e violencia que "nosotros" em Africa.




Por causa desta madurez, desta bagagem de conhecimento, reseultante da busca de identidade, de ela ser a face de uma nação, e ter orgulho a representar; Mas também por causa da sua musica sofrida e divina, e ter uma voz tão poderosa, por todas estas razões, Mari Boine é, para mim, uma DIVA.


Claro que para terminar este post, coloco aqui um cheirinho desta mãe de mão cheia.









1. Joik- tipo de canto típico sami. Veja mais aqui.

2/16/09

DIVAS (intro)

O concerto da sexta-feira (veja post anterior) despertou em mim uma vontade que tenho faz meses. A de escrever um pouco sobre as minhas divas.

Fui procurar no wikipedia a definicao de diva, para apoiar a minha intencao. infelizmente o qiki em português nao a tinha. No wiki em espanhol encontrei sim exactamente a definicao que eu tenho em mente quando falo ou penso em diva.

cito:

Diva é, na musica clássica uma cantora de renome que se caracteriza por ter uma voz excepcional. Em latín e em italiano, a palabra diva significa «divina» e é forma feminina da palavra latina divus - deus. Também utiliza-se o termo italiano prima donna (primeira dama).

No fim do artigo acrescenta-se que:
O termo perdeu grande parte do seu significado original ao ser manchado pela imprensa ao descrever mulheres incapazes de ganhar-se o auditório sem a ajuda do microfone.

Como a revista Times colocou em 2001:

«Por definicão, uma diva é uma mulher com um ego desvastador compensado parcialmente pela sua formosa voz.»

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Dito tudo isto, quero acrescentar que eu penso em DIVA como uma mulher especial, que tem uma voz fantástica, mas que também tem uma sabedoria acumulada com os anos. É uma mulher-deusa, que sabe que tem um dom magnifico, mas que é humilde, e fácil de comunicar. É uma mãe da humanidade, e a sua música transmite a identidade de um povo.

As minhas divas são: Miriam Makeba (Africa do Sul), Mari Boine (Samiland), Susana Baca (Peru), Cesária Évora (Cabo Verde) e Mercedes Sosa (Argentina).
Mari Boine, Parkteatret

Depois do meu ensaio na sexta-feira, fui encontrar-me com tres amigas ao Parkteatret (uma sala de concertos). Infezlimente eu nao havia comprado o bilhete antes, daí que não pude entrar com as minhas amigas. A regra geral é de quem quem nao tem bilhete deve esperar até ao início do espectaculo, para ver se sobram lugares.
Pois, fiquei numa bicha de cerca de 12 pessoas. Esperamos, esperamos, esperamos. estou a Falar-vos de uma noite com uma temperatura de cerca de -8 graus centígrados. E embora eu estivesse bem agasalhada, não há nada pior que estar parada no frio.
Depois de cerca de 40 minutos eu já estava com os pes a congelar. Comecei a considear a hipótese de desistir e ir para casa. Mas pensei "se de todas as formas já estou a pagar alguém para fazer baby sitting hoje... melhor aproveitar bem a ocasião"...
De repente, como em filme, recordei-me de que um dos donos do Parkteateret é amigo das minhas relacões. Ha um ano até viajamos juntos em trabalho para Maputo! depois de uns instantezinhos de discussao entre a prudencia e a ansiedade, mandei-lhe um sms:
- "Olá Pål. Estas no Parkteatret para ver a Mari Boine?"
instantes depois chegou a resposta:
- Infelizmente não. Estou na Itália.
- Ah, ok. Eh que estou aqui a apanhar frio, e pensei que se tu estivesses aqui, terias certamente lugares para convidados. - Normalmente quem trabalha num espectáculo tem direito a entrada gratis mais dois convidados.
- Ah, diz aos da entrada que te deixem ocupar o meu lugar.
Ah, fiquei tao feliz, saí disparada da fila, e fui a entrada. Mostrei a sms, e indiquei:
- Ve la bem quem foi que mandou. Ele está na Itália.
Sem argumentos, deixaram-me entrar.
Veja a seguir um pouco sobre o concerto, e sobre Mari Boine.

11/10/08

Mamma Africa morreu


De ser certa esta noticia, a grande Miriam Makeba faleceu ontem, depois de um concerto em Italia.
Obrigada pela música que nos deu.
Paz à sua alma.

11/6/08

Uma noite no centro 1: The change has come!





Estava ontem no teatro a assistir a um musical, "singin in the rain" . O teatro nas grandes salas de teatro (pese a redundancia) é ainda um fenómeno quase 100% norueguês, e como tal, eu era a única pessoa de pele escura na sala. Mas não se alarmem, já estou habituada.


Quem ja viu o clássico filme, pode se recordar de que a uma dada altura, a actriz Lina Lamont aprende como melhorar e usar a sua voz, porque a produtora de filmes Monumental Pictures decidiu deixar de fazer filmes silentes, e abracar a nova tendencia de filme "falado" .

Durante uma dessas aulas de diccao, quando instada a repetir "o-d-d-b-m", ela diz "oo-baa-mma".


A sala ficou em extase, o público bateu palmas com frenesi. Claro, eu aproveitei para dizer "black power", e o senhor -velhinho ele- ao lado de mim fusilou-me com o olhar. ("whatever brada, Yes, we can", pensei)


A sensacão de que mais mundo do que a gente pensa está pronto para viver num mundo diferente foi marcante.

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Foto retirada daqui

10/24/08

Queendom

Na quarta-feira fui assistir a performance de grupo feminino, Queendom .
São quatro mulheres afro-norueguesas a fazer sátira, conversar com o publico e a cantar.

Elas são únicas, não sei de nenhuma coitra africana a fazer satira sobre a "integracao" dos estrangeiros, politica, e vida diaria dos imigrantes neste pais.

No entanto, sao tao profundas que ao inves de rir, eu chorava. Tocavam algo profundo em mim, que me fazia tirar lágrimas, constantemente. Um sentimento enorme de tristeza pela ignorancia e preconceitos que cada um de nós leva consigo, quem sabe se da escola, ou da mesa de casa... ou ainda se das brincadeiras com amigso durante a infancia: tu es diferente, tu nao es uma de nós, tu nao pertences a este grupo, tu não podes ter uma vida igual à nossa!

Outra coisa que me tocou as minhas emocoes foi uma cancao que elas cantarma, que entre outras coisas dizia :

"Hei sister, you are not alone
(...)
I am not your enemy

..."

Fiquei tao triste poruqe é verdade, as mulheres só podem unir-se para conseguirmos uma vida mas completa. Mas ao mesmo tempo, não será mais fácil dizer do que fazer? Quantas vezes mulheres são incapazes de dar-se a mão umas às outras... Trouxe-me recordacoes amargas de solidao neste pais. (Felizmente é tudo passado.) AO mesmo tempo senti esta corrente de energia que une todas as mulheres, quer queiramos, quer não. Como mulheres vivemos certas situacoes que nao viveriamos se nao o fossemos. Temos todas algo em comum.

Um dos cortos sketches foi sobre os lugares que um afrinaco nao pode ir na Noruega. E as mulheres, foi lhes recomendado que nao andassem pela Karl Johann à noite. Recorde
neste post, oque pode acontecer com mulheres negras nessa avenida, de noite.

Enfim, a sessão de Queendom foi espectacular.

Recomendo a quem vier a Oslo, tentar ver este grupo. Porque ainda que não entendas a lingua local, vais certamente viver uma optima experiencia, dado que elas canta, e muito bem, com letras sobretudo em ingles.

9/18/08

DENADA - Victoria Jazz Nasjonalscene, Oslo

Some time ago, the then Nasjonal Jazzscene (Bellevue) was closed down. We though of it as a very sad event, since that was the place international jazz stars performed. And it was around the corner.
About a month ago, Børge started talking about a new national jazz house, called Victoria. So I was veru curious about it, whan as a birthday gift my inlaws offered me and my sister tickets to Victoria, to listen to a banda where my husband plays.
It is a 16 man's band called "Denada". Leaded by Helge Sunde, it is composed by fine musicians.
They had a tour London-Wien-Oslo, which was a great success (read review here) .
The concert last night was very good. I love their music, is full of energy and humour, and it sounds good. (They have an album, see review here).
Victoria jazz scene is a cozy yet spacious local, with a bar ("we" nordmenn love bars), and a very good atmosphere.
If you like jazz, and visit Oslo, remember this venue. It is located in the middle of Karl Johannsgate, in the center of town.
Nice!