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5/7/09

Meus Swikwembo




Ja basta de acusá-los... Simplesmente não tenho estado bem de saúde este ano. Outra vez estou de licença médica, e a tentar ver isso como uma boa oportunidade para unir pontas soltas da vida.  Não tenho nem blogado, nem lido nos blogues que tanto gosto, para não falar de participar nos subsequentes debates... 

Aliás, duvido que se esteja a discutir tanto... Alguma coisa me diz que estão a incubar-se as discussões acesas e gostosas, para a proximo feriado, dia 09 de Maio, dia nacional do blogg!


Felizmente tenho pensado, e tenho vivido.

Muitas coisas boas tem, no entanto acontecido. Por exemplo, incentivada por uma conversa simples - as vezes oque precisamos é duma conversa simples, e nao de projectos, seminários, discussões nem ordens - comecei a correr pelas manhãs! Ora, correr em si não tem nada de estranho. O extranho neste caso é a pessoa que corre. Enfim, devo estar mesmo a crescer. 

De todas as formas, na esfera da saúde, agora estou com uma gripe que teima em ficar.  O resto da familia também. Mas isso é assunto deles, podem escrever nos seus bloggs se assim o desejarem (rsrs).

A minha filha entrou numa fase dificil, essa dos 2-3 anos. Quando eles tudo sabem, tudo podem, e no tudo os frustra porque nao podem comunicar claramente oque é que os apoquenta. Resultado: Diz-me nao a tudo, atira-me tudo ao chão, num geito mesmo de chefe, grita-me, e ainda é ela quem chora! Acudam-me!

Dos amores nem falemos. Amores ausentes, amores trabalhadores e ocupados. 

Por tudo isto, e muito mais, vejo que já não posso seguir acusando os pobres tinguluve da minha amargura. Tem de haver uma outra explicação, que para dizer a verdade já nem me interessa saber. 

Oque vale é que estou a escrever, exorcizando através da exposicão, esses demônios que se querem apegar à minha vida.

Oque vale é que as almas gémeas estão a um toque do telefone, à distância de um pensamento, e uma voz é tudo oque basta para devolver-me a certeza de que não estou só...

Oque vale é que quando há sol, e posso, saio com uma amiga, simplesmente para degustar duma cerveja num parque. Aliás, comecei a entender este fenômeno norueguês de cerveja de verão ao ar livre...

Oque vale é que existem as sextas feiras. Quem ainda acha que esse é o dia do homem, ou o dia de quem trabalha de segunda a sexta, está muito enganado! Sexta é o dia da euforia, da celebração à vida. Se a minha vida fosse religião, a sexta era o dia da missa. Sair, ver a cidade viver após o anoitecer (agora anoitece as 22 hr cá), sentir a energia dos vivos e semi-vivos, apaixonar-se pelas luzes neón desta cidade fria, cruzar-me com estranhos indiferentes, e com estranhos diferentes!

Tudo isto para dizer que à sexta saio para um concerto, e depois para dançar salsa, tomar um refrescante (haha, imaginem de que se trata), ver sorrisos, sorrir, e finalmente sair à rua, sentir a brisa gostosa no meu rosto, e caminhar à casa...

Passar por um casal de bêbados, um apoiando-se no outro, e tentando definir em que sentido está a sua casa... Morrer de rir sem razão aparente e acordar no dia seguinte feliz por ter saído...

Meus Swikwembo me cuidam. Sem dúvidas... 

Ashé!




3/24/09

Triste Africa, triste papa*

As controversas declaracoes (ou recomendacoes) do papa em relacao ao uso do preservativo tem criado em muitos de nós uma reacao forte. Fiquei muito feliz ao receber o artigo em epigrafe, da autoria do jornalista português Miguel Sousa Tavares, originalmente publicado na revista "Expresso". Discutamo-lo:

Os Papas gostam muito de ir a África. São viagens que asseguram sempre uma grande cobertura mediática, estádios cheios de multidões com bandeirinhas que não entendem nada do que o Papa lhes vai dizer nem estão lá para isso, discursos de efeito fácil e inócuo contra a pobreza e o subdesenvolvimento que ficam sempre bem à imagem de uma Igreja preocupada com questões sociais. De caminho, os Papas não se preocupam nada ou quase nada com a caução que dão às ditaduras que visitam, à corrupção que elas praticam e à miséria que promovem.

Quando João Paulo II visitou a Costa do Marfim, de que era ditador Houphouet-Boigny, dormiu num edifício construído de propósito para o efeito que custou 150 milhões de euros - o equivalente, talvez, ao PIB anual do país, e construído ao lado da Catedral de Yamassoukro - do tamanho da Basílica de S. Pedro, em Roma, toda em mármore, erguida em plena selva e cujo custo ninguém conseguiu jamais estimar. E aí, no covil do ladrão, abençoou o país e o seu Presidente e não se esqueceu de pregar a caridade para a multidão de miseráveis a quem o regime local roubava o pão e a escola para financiar a ostentação religiosa e o palácio particular do VIIème em Paris onde Boigny gostava de passar o melhor do seu tempo.

Também agora, vendo o ar feliz com que Bento XVI se passeou em Yaoundé, ao lado do Presidente Biya, dos Camarões - corrupto e ditador, como manda a tradição - e da sua contratada primeira-dama, constato que a tão elogiada diplomacia duplamente milenar da Santa Sé continua a seguir a mesma regra de sempre: o essencial é garantir que a Igreja Católica seja tolerada e de preferência bem tratada onde quer que seja, nem que para isso o Papa tenha de caucionar, visitar e abençoar aquilo que a decência mandaria evitar. Foi assim, por exemplo, que João Paulo II, de visita à Indonésia, aceitou deslocar-se a Timor, no auge da ocupação e da repressão (inclusive sobre a Igreja Católica), porque, em contrapartida, lhe asseguraram uma existência pacífica no maior país muçulmano do mundo.

Para dizer com franqueza, por mais que a figura de Ratzinger afaste qualquer simpatia - ao contrário do que sucedia com Woytila - o que Bento XVI faz e diz em África não é substancialmente diferente do que fazia e dizia João Paulo II: convoca a fé irracional das multidões, de que a Igreja tanto gosta, prega a caridade em lugar da justiça social, e repete os insustentáveis dogmas morais para um mundo que não existe e que hoje parece ser o fundamental da mensagem de Roma. Se fosse só esta a mensagem que a Igreja Católica tivesse para levar a África e a outras partes do mundo, há muito que teria desaparecido do mapa. Mas, apesar da perda de influência constante a favor daquilo a que Bento XVI chama "seitas", o que ainda mantém a Igreja com uma força de influência moral em África é o trabalho, muitas vezes invisível e até mal compreendido por Roma, que muitos sacerdotes, missionários e comunidades cristãs desenvolvem no terreno, em condições bem difíceis. Felizmente, aí vale aquele provérbio africano que diz que "a palavra do chefe não passa além do rio". Aí, confrontados diariamente com a doença e o sofrimento, vivendo num continente onde estão 70% dos infectados com sida, os padres sabem que a sua obrigação, moral e religiosa, é aconselhar o uso do preservativo e não fazer pregações irresponsáveis e paternalistas a favor da abstinência, da fidelidade ou da procriação como único fim da sexualidade.

No curto espaço de três semanas, este infausto Papa, imposto por longas manobras da cúpula 'negra' da Igreja Católica, conseguiu mostrar o pior de si mesmo. Primeiro, levantou a excomunhão contra o arcebispo nazi inglês Williamson e a sua seita anti-Vaticano II e apenas duas semanas depois de ele ter repetido que o Holocausto era uma invenção dos judeus; depois, defendeu e confirmou a excomunhão decretada pelo arcebispo de Olinda e Recife contra a mãe e os médicos que procederam ao aborto de uma menina de 9 anos (!), violada repetidamente e engravidada pelo padrasto, e que nem sequer percebeu que estava grávida e tinha deixado de estar; enfim, decretou, ao pisar África, que o preservativo não só não serve para atacar a disseminação da sida como até "a pode agravar". E isto, em nome da "vida". Que saberá o Papa da vida? Como é que algum católico, a começar por ele próprio, pode acreditar que Deus fala por ele?

Eu não gosto de Ratzinger, como se percebe. Não gostei do seu passado à frente da Doutrina da Congregação e da Fé, onde se dedicou sempre a perseguir o sector mais aberto e moderno da Igreja e a defender o sector mais retrógrado e fechado. Ao mesmo tempo que fustigavam o preservativo, o aborto em quaisquer circunstâncias e o sexo como direito natural das pessoas, fecharam os olhos durante décadas ao deboche e à ignominiosa perversão das paróquias, bispados e colégios católicos onde a pedofilia homossexual sobre indefesos era lei e regra. E eles sabiam - tinham de saber.

A moral não é uma questão de fé nem de mandamento divino. Não é preciso ter fé para se obedecer a um código de conduta com valores morais que todos devemos ter. Por vezes até - como se vê com os pregadores extremistas do Islão, do judaísmo ou do Papa Ratzinger - é a invocação da fé que acaba por pretender legitimar o que é moralmente insustentável. Também a fé não dispensa que se tente perceber quem os outros são, olhando-lhes para a cara. A mim, bastou-me olhar para a expressão de Ratzinger, no primeiro momento em que apareceu à janela de S. Pedro como Papa Bento XVI, para perceber muita coisa: Deus não tinha nada a ver com aquilo; o que ali estava inscrito transparentemente era uma expressão de pura cobiça satisfeita, de deleite com o poder. E até hoje não o vi mudar de expressão, apenas disfarçar, enquanto vai achando prudente, as ideias que desde sempre foram as suas.

Enquanto se ocupa a excomungar médicos que salvam a vida a uma criança violada pelo padrasto, Bento XVI prepara-se fatalmente para dar sequência ao que seria apenas uma anedota portuguesa, não fosse também uma vampirização da nossa História: fazer de D. Nuno Álvares Pereira santo, só porque uma senhora de Vila Franca de Xira se queimou com o óleo da cozinha, rezou ao beato e curou-se... graças aos médicos que a assistiram e às defesas do organismo. E fica em silêncio quando tantos devotos católicos e financeiros, seguidores do também beato Escrivá de Balaguer, fundador da Opus Dei, levaram o culto de vendilhões do templo a tal extremo que conduziram o mundo a uma crise global e reduziram milhões de pessoas à moderna escravidão do desemprego e da pobreza.

Não, Deus não iluminou o conclave de Roma no momento de soltar fumo branco por Ratzinger. Mas o pior é que o mundo que os rodeia também não os inspirou em nada. E a consequência é que a Igreja Católica desertou de onde, apesar de todos os seus humanos erros, faz falta.

* Artigo retirado daqui : http://clix.expresso.pt/tristes_tropicos_triste_papa=f504338#commentbox

3/20/09

Swikwembo...

Sei que ando desaparecida da blogosfera. Devo uma explicacao as minhas manas e aos manos: São os swikwembo. 365 dias sem pisar o meu pais, sem saborear uma macaroca bem fresquinha, sem sentar-me a sombre da mafurreira a reclamar do calor, e a comer melancia bem doce da machamba da minha velhote… Nenhum xikwembo aceita isso.

365 dias dos quais pelo menos 150 encasacada! E de calcas, chapeu, luvas, meias, etc, etc, etc… dão cabo do meu espirito. E com o astral baixo, o meu sistema de defesa fica vulneravel. Dai as doencas, acho… (hehehe, algum medico no grupo? Oque diria?...)

Anyways, as minhas dores de cabeca feram resultado de sinusite. Fiquei de cama. Por duas semanas.

Esta semana recomecei a trabalhar, e toda feliz porque o sol ja comecou a aparecer. Nao confundam, eu ano disse ja esta quente. Embora esteja, porque as temperaturas ja nao sao negativas. Variam entre 0 e 5 graus.

No meio da rua, sem mais, torci o pé.

E aqui estou, de muletas, cansada, revoltada e com saudades de casa. A reunir energias para regressar a blogosfera com as minhas divas, o meu dia a dia, e discutir paulito.

PS. Obrigada as manas e aos manos por procurarem por mim.