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8/29/09

Cidadã do mundo, cidadã de lugar nenhum?

Numa fase em que tanto o meu país de origem e o meu país de residência t erão eleições nos próximos tempos, não posso evitar sentir-me enteada de ambos. Sei que tudo rege-se por leis (e excepções), e na verdade, a Nyabetse de 1999 não se teria importado muito. - É que nessa altura eu achava que abstendo-me de votar unia-me às massas que demonstravam o seu protesto perante o sistema, era uma manifestação de desespero, e não de desinteresse como muitos explicavam.

Dez anos depois aqui estou. Trabalhando activamente onde resido, pago os meus impostos, presto serviços comunitários, etc. Contribuindo como posso para o meu país, seja através de trabalho, formação, divulgação, etc (pode dar tema para outro poste cá no blog)

Mas no momento das grandes decisões não posso dizer o meu parecer!

Deste lado porque não tenho a nacionalidade, e portanto não cumpro com os requisitos. É a lei. Aqui sei oque fazer, se quizer

Do outro lado, porque não emigramos em em número suficientemente grande como para podermos ter a palavra. É a excepção da regra!

Rir para não chorar.

8/2/09

Uma manhã na polícia - 1

Comparativamente, acho a policia norueguesa bem pacifica. Mas no geral, não o é, eu sempre sou "innvandrere" (imigrante), logo relativamente mais ignorante que os "locais", e por cima negra!

De todas as formas, o meu contacto com a poli é sempre mínimo. Quero dizer, practicamente nulo. Só falo com a poli quando eles me interpelam, e sempre coloco as garras bem à vista. Ou melhor, afio bem a lingua, desafio-os, e continuo com os meus fazeres. Como quando fui receber a minha irmã na estação central, e estava um polícia a interrogá-la. Pedi-lhe que na minha presença também parasse cidadãos de raça branca e fizesse a sua rotina (como ele chamou oque estava a fazer).

Mas não pensei em nada disso quando esta semana decidi ir a poli meter queixa por acosso. A estória começa há já alguns meses.
Resumidamente remeto-vos a este video, que coloquei nessa altura neste outro blog. O video, para quem não o pode ver, retrata a actriz mexicana Salma Hayek dando de mamar um bebé africano no centro de saúde perdido no nosso continente negro. Ele foi colocado por uma então amiga no facebook. Expressei a minha opinião sobre o mesmo, a qual levantou um grande debate, ond eentre outras coisas fui chamada "racista".

No entanto, eu achando que o debate se havia tornado pessoal e bastante rude, retirei-me do mesmo. A pessoa que colocou o video, a quem chamarei Maria, começou então a mandar-me mensagens ond econtinuava o debate e os insultos, à minha caixa de mensagens do facebook. decidi retira-la da minha lista de amigos. Mas mesmo assim continuava.

Pedi ao facebook que a boqueasse, tendo como razões o seu acosso.

Quando ela descobre que não me atinge por esta via, começa a mandar-me mensagens ao email.

Pedi-lhe que me deixasse em paz, oque ela fez durante uns meses.

Mas na semana passada, voltou ao ataque, desta feita contra uma das amigas que concordava com o meu pontos de vista sobre o video. E nessa deixa, recomeça a mandar-me emails!

Com uma paciência que não é minha, mandei-lhe uma mensagem em que lhe peço que me deixe de mandar emails, e que se recebesse mais um só, contactaria a policia.

Respondeu-me! E troçando de mim por querer contactar a polícia. Só que felizmente cá toma-se o assedio ou acosso muito seriamente.

No dia seguinte imprimi todos os emails que tinha conservado, acima de 20, e dirigi-me a policia.

2/2/09




Bebé Abandonada...



Uma bebé de cerca de uma hora de vida foi encontrada abandonada no jardim de uma casa em Stavanger, uma cidade norueguesa.

A crianca foi colocada num saco de compras, e cuidadosamente deixado no jardim, tendo sido descoberto na manhã de sexta-feira. Depois da autópsia e de investigacoes preliminares, desconfia-se que a mãe seja estrangeira, provavelmente sem papeis e que provavelmente ja tenha abandonado o pais.
Doi-me o coracão cada vez que penso tanto na mãe que teve que tomar essa medida, talvez que esperanca de que alguém descobriria a crianca, ainda com vida, e assim dar-lhe uma oportunidade de uma vida "normal".


Revolta-me a morte de criancas. Não tenho palavras




Foto do jardim em que se encontrou a bebé.

A foto do bebé acima, não tem nenhuma relacão com esta ocorrencia. Foi tirada daqui

2/1/09

As Amizades que tenho 2: reacções


Como procuro fazer no inicio do fim de cada semana, ligo as minhas amigas. Quase todas me felicitam por ser parte do programa WOmentor. Mas com uma, a conversa é mais ou menos com segue:

- Hiiiii, Nyabetse, vi-te na tv.  É bom esse programa, ne!
- Ya, eh muito, estou bem entusiasmada. 
- Entäo, como vai a procura de emprego?
- Ainda estou a busca. Felizmente o meu actual job extendeu-me o contrato por mais dois meses, enquanto procuro algo novo. (Como já expliquei no post anterir, é exactamente isso que estamos a fazer, no ambito do programa Womentor.)
- Eu acho que tu nao deverias procurar outro emprego. Está bom esse que tens, deixa lá ficar. Näo procura mais nada. Fica aí mesmo.
- Ah, ok. Sabes, tenho que desligar.


A segunda conversa "interessante foi mais ou menos nos mesmos moldes.
- M, afinal porquê é que estás nesse programa? O emprego que tens nao chega?
- Olha, eu cho que posso fazer muito mais, e o fact de ter uma mentora vai me ajudar a chegar onde quero.
- Chegar onde queres oque, se tu já tens trabalho, afinal queres mais oque?
- Quero um trabalho que...
-Tu ja tens sorte de estar a trabalhar. Esquece lá isso!
Logo pensei:
-Aqui não há mais conversa possível. Terminei a conversa...

Fiquei a perguntar-me se estas duas mulheres estavam conformadas com a vida que tinham, ou se pelo contrario, gostariam elas de terem apostado um pouco mais em suas carreiras...

Fez-me recordar uma outra mulher, também moçambicana, que respeito muito que me "alertou": Demora 7 anos até um estrangeiro ter emprego na Noruega.

E cada vez que eu reclamava por não conseguir nada em termos de emprego, ela dizia que eu tinha que relaxar, e recordar que antes dos 7 anos, nada ia passar!





1/30/09

As amizades que tenho: Integracao e mentores

Quero tanto falar de algumas "amizades" que tenho. mas para isso preciso explicar-vos porque desejo falar delas.

1. Integracão e Mentores




Escrevo este poste para criar bases para o post seguinte.





No sabado sai na tv norueguesa. e não foi de raspão, como alguns maldosinhos já estão a pensar. Eu conto, ah, se conto:


Integracão é o fenomeno através do qual, um individuo passa, para poder pertencer a esta sociedade. Aprender e falar norueguês, arranjar emprego, conseguir amizades locais, etc, etc, etc... Está demais dizer que eu acho que a pessoa nunca se integra compleamente.



Arranjar emprego pode ser uma dor de cabeca. Arranjar o emprego ideal, eh um sonho que requer muita perseverancia. Sao muito poucos os estrangeiros que conseguem isso.


Näo pertenco a minoria que tem o dream-job, mas tao pouco a que se conforma com o emprego que tem, só para fazer dinheiro. Acrescentar que muitos acabam trabalhando na saúde, como enfermeiros ou assistentes. Algumas pessoas apesar de terem uma formacäo e experiencia do seu pais de origem, ao aperceberem-se da dificuldade que e conseguirem trabalho na "sua área, voltam para a escola, para fazer cursos como enfermagem, que teem muita demanda.


Pertenco ao grupo dos sonhadores e batalhadores. Ha pouco alguem que conheco afirmou "existem pensadores e realizadores". Nao comentei, pois discordo com isso. Para realizar algo, há que pensar primeiro, acho eu.

Recordo-me de que, ha uns meses atras, quando eu reclamava da dificuldade em arranjar emprego relevante, uma pessoa aquem respeito muito desafiou-me exactamente a desistir dos meus ideais: "ser artista, trabalhar com pessoas, ajudar mulheres desfavorecidas... faz la um curso de enfermagem ou de contabilista! Esquece esses teus sonhos!"- disse-me.


Mas deixemos integracao de lado, e vamos aos mentores...
Considero um mentor, uma pessoa que pelos seus conselhos, guia, correccoes e mais, mostra a outra(s) um certo caminho, chegando as vezes a abrir portas.
Em abril de 2008 recebi um email, informando-me que havia um novo programa, atraves do qual 10 mulheres nao norueguesas (como eu), com qualificacao, mas que nao encontram o emprego em que estao qualificadas, podiam participar. Cada uma seria atribuida uma mentora, uma mulher altamente profissional e bem sucedida. Juntas trabalhariam com vista a realizar os sonhos profissionais da mentees.


Candidatei-me, com a aplication letter mais simples que ja fiz na minha vida, e voilà, fui seleccionada. E como se nao bastasse, e porque oque eu quero eh trabalhar em projectos de empowerment de mulheres e criancas, e porque estou, com uma colega, a criar uma organizacao para jovens africanas-norueguesas, foi-me atribuida uma das mulheres mais activas nessa área, nomeadamente a princesa Mette-Marit!

Enfim, estivemos trabalhando em segredo, mas a imprensa teve informacão. Daí que foram convidados a um encontro entre todas as partcipantes do programa, Womentor, como se chama.

Foi assim que saí na tv.

Com esta apresentacao, falarei no proximo post, falarei delas, as amizades que tenho (algumas delas, que conste).

1/6/09


Dilema




Ha uns poucos anos havia um grande enfoque sobre os donativos de roupa de segunda mão, vinda essencialmente da Europa ou dos EUA, vulgo xicalamidade (ou calamidades). Segundo a posicao então defendida, a abundancia destas roupas no mercado africano, tanto gratuitas como e sobretudo, à venda (em Maputo temos o grande shopping ao ceu aberto de Compone), era uma barreira ao desenvolvimento da industria local de roupa.


Dizia-se, e até faz sentido, desde este ponto de vista, que este mercado de roupa de segunda mão impede o crescimento de fabricas locais de roupa. Mais tarde fui me perguntando se este facto era baseado em factos ou suposicões, dado que eu pelo menos não conheco muito o mercado de roupa d efabrico nacional...


Mas de todas as formas, deixei de consumir segunda mão, para apoiar as indistrias emergentes.


--


Durante as ferias de natal, eu e a familia aproveitamos para separar roupas que ja nao usamos. Normalmente sao roupas ainda em bom estado, que por uam razao ou outra (maldito materialismo), deixamos de usar por um bom tempo. A ideia era doá-las ao Exercito de Salvacao, uma instituicao de caridade, que apoia os pobres cá. Bem... pobres? Apoia os mais desfavorecidos, ja seja com roupas e bens materiais, ou com comida e refeicoes, e ainda servicos.


Uma das coisas que eles fazem com as roupas eh revende-las. O vintage é uma tendencia estranha de valorizacao de roupas e móveis usados (ou velhos, hehehe). Engracado, enquanto escrevo penso "na Europa é vintage, em Africa é pobreza! Enquanto que cá até algumas revistas de moda fazem artigos, fotos e muita promocao, em Africa é uma vergonha comprar usado! Oh, mundos díspares!


Voltando ao caso, estava eu e pensar em como transportar as roupas para a estacao mais proxima do frelsesarmee, quando entra uma mensagem no meu telefone, de um colega ugandes. Ele pedia roupa usada que a gente pudesse oferecer, porque estava a organizar um envio para a terra natal, em especial para a zona de guerra. recordando-me de como a xicalamidade salvou-nos nos anos 80 (embora eu fosse uma crianca), nem pensei duas vezes.


Mas ficou-me o dilema: ao enviar estas roupas, estamos ou não a contribuir para a obstrucão da industria local?

11/28/08

Direitos do trabalhador


Na lei do trabalho existe uma cláusula, com o código 57, segundo a qual todo o trabalhador tem direito de uma hora de exercicio fisico, durante as horas de expediente. Quer dizer, como no escuro e frio inverno estamos normalmente sem energia (e sem vontade de trabalhar), o empregador paga-nos e nós vamos fazer ginástica!




No meu departamento, a condicão é de não tirarmos o 57 mais de uma pessoa de cada vez.


Eu já perdi a batalha pelas sextas-feiras. Um dos meus colegas ja reservou todas as sextas-feiras, para sair uma hora antes do servico, "com o bojectivo de fazer ginástica a caminho de casa". Quäo realista soa isso? Pois bem, nao preciso dizer mais nada.


Na semana passada, tirei o meu 57 (femti sju) numa quarta-feira e fui ao centro fazer compras, aliás ginástica.


Ontem as mantas colaram-se-me ao corpo de uma forma tal que nao podia fazer mais nada. Liguei para um dos meus colegas, e lhe disse que ia fazer ginástica na primeira hora de trabalho.


Ah! Senti-me rejuvenescida depois daquela hora de sono, alias, exercício matutino!

11/6/08

Uma noite no centro 1: The change has come!





Estava ontem no teatro a assistir a um musical, "singin in the rain" . O teatro nas grandes salas de teatro (pese a redundancia) é ainda um fenómeno quase 100% norueguês, e como tal, eu era a única pessoa de pele escura na sala. Mas não se alarmem, já estou habituada.


Quem ja viu o clássico filme, pode se recordar de que a uma dada altura, a actriz Lina Lamont aprende como melhorar e usar a sua voz, porque a produtora de filmes Monumental Pictures decidiu deixar de fazer filmes silentes, e abracar a nova tendencia de filme "falado" .

Durante uma dessas aulas de diccao, quando instada a repetir "o-d-d-b-m", ela diz "oo-baa-mma".


A sala ficou em extase, o público bateu palmas com frenesi. Claro, eu aproveitei para dizer "black power", e o senhor -velhinho ele- ao lado de mim fusilou-me com o olhar. ("whatever brada, Yes, we can", pensei)


A sensacão de que mais mundo do que a gente pensa está pronto para viver num mundo diferente foi marcante.

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Foto retirada daqui

11/3/08

Contas à Nacão (cont)



Oque chamou a minha atencão foi o seguinte:


Os que estavam no painel (que mais parecia um tribunal, pela tensão), estavam sentados tres de um lado, e tres do outro, em frente uns dos outro (bem, cada lado em semi circulo). O moderador, um sénior da televisão nacional estava de pé, no meio deles.


Já imaginaram a cena, o primeiro ministro de sentado, e o jornalista em frente dele, de pé a fazer perguntas "quentes"?


Mais ainda, quando o pm falava, ele o interrompia, para atacar os seus argumentos. Sem piedade, diria eu.


Oque mais bateu no meu "hierarchy hangover" foi quando o moderador disse, apontado com o dedo acusador ao Stoltenberg:


- Mas tu (yes, "tu"), tu Stoltenberg, não achas que agiste fora da lei?


Tenho que confessar que gosto da figura do pm, nunca perde a pose, a calma e p controle. Calmamente respondeu:

- Não, eu näo agi fora da lei, era uma situacäo de emergencia, e achei por bem tomar uma medida drástica, para o bem da economia nacional...


Enfim, o debate prosseguiu, mas eu havia sido marcada pelo que vos acabo de relatar. Afinal presidente também é colocado no banco para responder; afinal também é apontado com o dedo, sem que se murmure "yu, a massingitoooo!", e sem que a polícia, a familia, os amigos e vizinhos te venham chamar a atencão!


__
Quero referir que o caso está agora sob investigacäo. Por enquanto foram interrogados dois trabalhadores do banco que são suspeitos de crime de fuga de informacão, mas (felizmente), para o um dos funcionarios do gabinete do pm, não para o pm em si. Digo felizmente porque se ele tem que renunciar, toma lugar a direita, que está com as garras afiadas...

A ver vamos!

10/28/08

Inédito!

Uma nota num pequeno jornal local, e que foi depois colocada nos maiores jornais (exemplo aqui). Resumo:

Um homem de cerca de 20 anos de idade ligou durante a madruga à polícia, para pedir socorro desta, no sentido de afastar um outro homem que tentava apoderar-se de haxixe na posse do primeiro!

PS: O denunciante acabou sendo (também) denunciado à polícia por posse de haxixe!

10/13/08

Direitos do trabalhador

Então, entro à sala onde dois colegas estão a conversar:


- Eu acho que na proxima semana vou tirar um 57!

- Nice, mas não na sexta, eu ja escolhi para mim.

E eu, curiosíssima: Oque é um 57?

- No inverno, quando os dias são tao escuros, e o corpo está cansado todo o tempo, cada trabalhador tem o direito de uma hora por semana, para fazer ginástica, correr, relaxar.

- Hae? A sério?

-Ya, podes treinar. Durante o o horario laboral mesmo, ou antes de comecar a trabalahr.

- E tu es paga/pago para isso?

-Sim, é teu direito.

Como escrever o espanto?

- Ja sei, o meu 57 vou levar na sexta-feira, saio uma hora antes da hora de saida, e "faco exercicio"! digo, enquanto na verdade penso : vou cedo para casa, mazé! - sempre naquela base...

- Heeee, sexta-feira ja esta reservado, só podes escolher um outro dia!

8/4/08

Insurance II.

I have taken the matters seriously.
I contacted an organization that works agains instituional discrimination, and they confirmed me that the requirements from the bank were discriminating, and as matter of fact, illegal.
I was then advised by them to contact the bank again, and make sure the requirements on the letter are correct.
The answer form the banks was that indeed, those were the requirements. And more, both parents had to be Norwegian (or lived in the country for the last 5 years), in order to be allowed to register the child!
And the last words were "We are sorry for having so tight rules".
I was then reccomended to writte a letter to an institution working for equality and agains discrimination. They deal with law implementation and irregularities. I wrote them a letter, presenting my case, and requesting their help.
Thanks to the internet, I sent the latter via email. That was just perfect, because the same day I receive a phone call from the bank. This time it was the highest responsible for insurrances at the bank! UAU!
This is the conversation:
- God afternoon!
- Goog afternoon.
- Are you Mrs Tatinguwaku?
- Yes. Who is this?
- Listen, Mrs Tatinguwaku, I am the boss for the insurrance programm in the bank. I am ringing you so that we can discuss the misunderstanding around your daughter's insurrance!
I was shocked, to say the least. But hei, I have learned my part by now, so my quick answer was:
- Thank you for phoning. However I can not talk to you. I have enrolled a lawyer, and you shall communicate with her. You shall hear from her soon. (thinking: hahahahaha!)
- Ah, ok. thank you!
Now we are just waiting.

7/23/08

Triste

Aconteceu uma coisa que me tem tão triste que nao conseguia escrever sobre ela.
Nao foi nada que me diga respeito a mim, directamente. Deixe-me contar:
Dia 28.07 é a data natalicia do pro-nazista norueguês mais conhecido. Poderia dizer que na Noruega, este senhor, Quisling, representa a alianca com Hitler, a comunhao com os seus ideais da raca ariana. Logo, eh uma data importante para os da extrema direita.
(Sim existem, embora a ideia geral é de que Noruega eh o pais de leite e do mel, o paraiso na terra, onde todos se toleram, a te se amam).
Entre as 80:00 e as 08:30 dessa manhã, houve disparos contra um centro de acomodacao de refugiados menores de idade (eles vem dos seus paises sozinhos, e enquanto os seus casos sao tratados pelas autoriades, eles residem nesse centro). Nos nossos paises, seriam os campos de refugiados, com a diferenca de que ai eles practicamente vivem de forma permanente, enquanto os seus casos NÃO são tratados. Por favor corrijam-me se eu estiver errada.
Voltando aos factos, dos disparos anônimos, um jovem de 16 anos, original da Somalia, e que esta na Noruega, e no centro de acomodacao faz apenas 2 meses!
Ele foi gravemente ferido, e evacuado imediatamente para o hospital, onde foi operado várias vezes. Embora o seu estada continue grave, ja esta fora do perigo.
No entanto, a policia ainda tentou dizer que os disparos contra o centro haviam sido casuais. Horas depois do mesmo dia, a policia declarou que "podem" haver motivacões racias detrás dos disparos, e fez a ligacao entre os disparos e a data.
Até hoje a policia ainda está a tentar identificar a/s pessoa/s que cometeram o crime.
---
PS: Vou redigir o texto e colocar toda a acentuacão mais tarde.

7/16/08

Way forward?

09:05 in the morning (dvs now), as I wonder what I am going to share with you guys today, a young African man enters my job, and asks for help.
From the moment I see him, I think "this Brother needs peace". He approaches me, and it goes more or less like:
- Go-od mor-nin-ng. (Empty look in his eyes)
- Good morning. - I though he was lost, and was to ask for directions as it happens often. Nei:
- I have applied for high school and ...
Oh my! As he talks, a known alcohol scent comes from him, and sorrounds me amicably. And I have to keep a good face, because that is what they need, someone who can treat them as people, and not see them as loosers. But I have my suspicions: these youngsters need someone who can shake them hard, and wake them up by telling and showing them what they are doing with their lives...
Especially this one, who is, after all, looking for help to do his high school studies...
Of course, all these are thoughts that I have while I listen to him, and help him the best I can, give him the directions and phone number of where he can get the info he needs.
He thanks me (o-k, ta-kk...) and leaves, taking with him his essence.
As he walks out of the buiding, I can't take my eyes off him. And I can't stop wondering what is it that is going so wrong with African Youth?
Is this the way forward for the Black People?

6/13/08

It's women's fault!

This is a "conversation" I had two weeks ago. In fact I'd rather call it not a monologue, but it was more like some sort a unilateral declaration or statement. I get sick whenever I recall it. I was soooo astonished I could not react. Not with words. 

There was a concert in a park. It was sunny, warm and good, and people were summer dressed. Light clothes, swimming suits, capulanas, you see the picture... People sun bathing, chilling and grilling... Having a good time.

I was having a conversation with a friend, when somebody else (a person who could be my father) interfered; and my friend left in a very discreet way. So, there was I, listening to this bava, and I mean Bava, at least considering his age.
 
And it goes more or less like this:

- I tell you, these Norwegians, look at them! The way they dress man, eish!
-...
- I tell you! Look at them, especially the women.
- I understand that not everyone accepts it...

- Phela if it was in South Africa! Heeeee!... You know, phela the other day I met this old man. He is from Ghana. A really old man. He was upset!
- ... 
- I'm telling you! He was upset, I met him in the tram. When I greeted  him, heh, he was so angry! He started telling me, this is what we are talking about. This man has been living here in Norway for long. The white women in this country! That is why there are so many cases of Africans raping Norwegian women, because you see, they can't resist! They are not used to it. You see, this is an old man saying, so, you can imagine yourself, a young man, seeing all this. You see! And then they go around and say that African men this or that! It is their fault! 

- ... (By then my eyes were two big balls almost falling from their place. Could not believe what I was hearing. From an almost stranger. Wanted to hear more. I had to hear more. For once.)

- So you see, you, phela in South Africa, that is why, there was this woman who had a mini skirt. Then the taxi drivers, they helped her, they took off her skirt and... hmmhmm. they let her go just like that! Because, you see, this is what I am talking about. She wasn't dressed. Phela we are Africans!
- ... -I started crying in my heart, but I wanted to hear more. (And he definitely doesn't know that I know about these incidents, and the taxi drivers don't just undress the Women. They rape them as well. Gang rape. What is the difference anyway? Raping is raping)

- I have to say, you are quite different, you let me talk although we may not agree, you see, many people are not like this at all.

I call upon all my Mothers and Sisters to give me strenght.  All I wanted to ask this man was if he could think that a woman, each and every woman had the right to love and dress or even undress her own body.

I wanted to ask him if he had ever thought that NO MAN had and has the right to touch a woman without her consent. 

I wanted to ask him if he didn't have a Mother, a Sister a Daughter... 

I turned and left with my tears.


6/12/08

shocks (1)

I want to introduce short texts about things that here are done so differently than in Maputo, that they shock me. Note that it is not necessarily bad things...

Honesty and freedom at work


  • My colleagues seem to be always taking breaks. At first it annoyed me, but they just tell insist that I have to take more and longer breaks! I definitelly have to work harder towards my integration!

  • Last tuesday I went for a job interview. I have learnt that it is ok to tell the truth at work, so when I told my colleagues that I had to leave for an interview at 11, and that I'd be back at 1330, they wished me good luck!

  • It took longer, and as I walked from the interview venue to the street, I felt the sun on my skin, the soft breeze, this lazzyness... I felt like not going back to work. I phoned work and asked if it was ok to have free the rest of the day. "Off course, Nyabetse! See you tomorrow." I need not to mention that this would be just a dream in Maputo, I would have had to make up an excuse not to return to work that day!



6/11/08

Sommerfest

Norwegians, and as far as I know, the rest of Scandinavians have the tradition of celebrating summer. In june, companies, business, schools, all sorts of institutions have a sommerfest, this is a summer party.

In my current job, where I have only worked (as a substitute) for aproximatly 2,5 months now, they have been organizing this party. I got to know this when two weeks ago I was asked by a nice lady "So, are you coming to the summer party, M?
- Well, I have not been invited, I answer.
- So strange! I will talk to the boys, they will give you details. -The boys are my two colleagues, who have been there for years, and who, as a matter of fact have trained me to this job and help me with practically everything related to work. Let us say they are my immediate superiors.

So, I do not hear any word about the party, until today, when I asked if one of the boys could help me with something right after work.

- Nei, we can not. You see, today is the day of sommerfest here! Aren't you coming?
- Well, I wasn't invited.
- Oh yes, you are. It has been sent through "fibel".
- Guys, stop joking, you both know I don't have any account on fibel. In fact, I don't even have access to fibel...

An awkward silence. And then, from one of them:
- I don't know what happened. I even asked to the organizers if it was ok to invite you and they said yes.

I left the room, and felt uncomfortable for the rest of the day.